Um e um são dois
Um e um são dois, (2013), é um trabalho resultante da ideia dos laços sanguíneos, onde as duas imagens do meu pai e seu irmão gêmeo, por serem idênticas, parecem se duplicar, deixando uma dúvida sobre quem é quem. Nas lembranças de família contadas pelo meu pai, nem sua mãe e nem outro membro da sua família sabe identificá-los. As imagens parecem não completar suas lembranças do dia em que foi registrada, nem possibilitam que se reconheçam individualmente. A memória parece trair seus olhos, não deixando que reconheça seu próprio rosto.
Podemos refletir que ao “revelar” imagens, trazemos algumas lembranças estranhas, que parecem pertencer ao esquecimento, imemoráveis, onde as histórias guardadas nas fotografias de família, de um membro que não conhecemos ou de pessoas mais velhas que não vimos quando criança. E quando somos tocados por essa imagem desconhecida, que detêm um passado impedido pela falta de dados da sua história, provocamos então, um paradoxo ao estarmos fadados ao esquecimento e não podermos reconhecer alguém presente e, no caso do meu pai, de não reconhecer a própria imagem.