Milena Oliveira

Série esforço

Ao refletir sobre a obra Esforço, apresento discussões pertinentes ao exercício para lembrar daquilo que não conseguimos guardar em nossa memória completamente. Este trabalho se relaciona com a obra anterior, Do que pode ser, existir e acontecer, mas trazendo alguns antagonismos, que irão refletir nas imagens produzidas nessa instalação, numa condução entre perdas e ganhos junto à memória e sua contraparte, o esquecimento.

Ao falar destas duas naturezas humanas (memória e esquecimento) proponho a experimentar organizar novas estratégias de elaboração da imagem que apresento nesse formato elaborado, a percepção da memória e do esquecimento refletidos sobre o tempo nos desafia a esforçar a lembrar-se. E justamente neste estímulo de trazer imagens que voltam à memória, sejam elas boas ou ruins, que nos estimulam a capacidade de lembrar. Entre o esforço de lembrar e o esquecimento, proponho outro exercício que nos dispõe a procurar o rosto que atravessou o tempo e que parece familiar, a imagem de nós quando crianças.

Percebi que as imagens selecionadas para serem resguardadas fazem parte da minha infância, colocando em questão este esforço em constituir na memória a imagem de si. No instante, me esforcei para lembrar a minha imagem real, para lembrar os momentos que consigo ver o meu rosto quando garotinha.

Nesta relação da percepção de si e como idealizamos nossa fisionomia, entendi que às vezes nos reconhecemos e desconhecemos nas fotografias do nosso passado. Esta procura pela imagem de si e por aqueles que estão “esquecidos” traz para o trabalho um incômodo visual, onde a transfiguração imagética levanta essa questão metafórica entre a percepção e a memória, uma imagem presente e ausente.

Esforço , 2014-2015 ( Montagem da exposição Liames 2015) Desenho sobre cerâmica sobre vidrado 85 x 85 cm
Série esforço, 2014- 2015 Escultura em cerâmica sobre vidrado 15 x 18 cm