Do que pode ser, existir e acontecer
Do que pode ser, existir e acontecer. São possíveis impressões de histórias reais, ficcionais e imaginárias, impressões que contamos sobre nossas recordações. Apresento como possibilidades narrativas em que a imagem sugere o primeiro banho de sol, a pose para foto do encontro de gerações, os lugares que nos parece tão familiar, o dia no parque ou aquela viagem, um exercício para unir experiências e reconstruir singularidades da nossa existência.
Ao criar esses objetos-imagens proponho uma reflexão a partir de encontros no tempo, onde os momentos não são amarrados por uma linha contínua, eles são fluidos, “espontâneos” como o verdadeiro lembrar-se de Bérgson (1999), capazes de voltar ao passado e modificar o presente. Porém, nem tudo que lembramos é como temos a impressão de ser, por sua vez, podemos abrir um espaço pela arte e não obedecer ao tempo, tornando possível criar a partir da memória e da fotografia, histórias reais e ficcioná-las ou trazê-las para a imaginação. Esta criação envolve o processo de rememorar-transformando, que está associada ao modo de manuseio das linguagens e dos materiais (fotografia-desenho -cerâmica). Neles os desenhos brincam com a paisagem, ora eliminando a figura, ora o espaço, imaginando e transfigurando suas partes.